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O meu pai tava bem bostando nos últimos dias aqui em casa. Desde que ele se aposentou de vez, ele tem procurado bastante coisa pra fazer, mas nas últimas semanas ele só assisitiu TV.
É que segunda-feira ele teve que operar. Daí, acho que ele ficou meio desmotivado e preocupado, então ele só se deu o trabalho de ajeitar o sofá.
Pra quem já sabe algum tempo da minha relação de ódio e amor com meu pai, pode tanto pensar que eu tô feliz por ele estar sentindo dor, como posso estar triste por ele estar sentindo dor.
Eu só consegui ver ele ontem, quando ele já tava no quarto. Acho que passei uma hora e meia lá e ele me olhou mais nessa uma hora e meia do que a vida inteira. Ele ATÉ falou comigo, direcionando as palavras à minha pessoa e usando o aposto ‘Dija’.
Teve uma hora que ele perguntou se eu queria trocar com ele. Eu sentia a dor e ele estudava pra faculdade e pro vestibular. Se nessa hora eu não estivesse segurando o choro, eu acho que diria que trocaria. Mas eu não consegui tirar os olhos dos quadros de margaridas que estão no quarto dele, imaginando que aquele seria o momento ideal pra elas começarem a cantar a dor pra fora daquele lugar.
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No programa do Serginho Groisman, ele costuma fazer pequenas e rápidas entrevistas com pessoas da platéia.
Em um dos únicos dias que eu assisti, ele perguntou pra uma menina o que ela perguntaria pra Deus se eles saíssem pra tomar um café. Ela deu uma resposta lá, do tipo ‘eu pediria a paz mundial‘. Mas eu fiquei pensando no que eu perguntaria.
Primeiro, eu sei que Deus me chamaria pra tomar um chá gelado. Esse negócio de sair pra tomar um café, é coisa de americano. Não que chá gelado seja coisa de brasileiro…enfim. Depois, acho que a minha primeira reação seria de pegar ele pelos ombros e sacudir desesperadamente, dando boas chacoalhadas. Porém, não chacoalhadas do tipo ‘Deus, seu filho de uma égua.’ Mas chacoalhadas do tipo ‘Deus, seu filho de uma égua, por que cê demorou tanto?!?!?!?‘ E daí eu ia gritar mais um monte de coisa, ‘tanta hora pra vc aparecer, e vc só aparece agora’, ‘what took you so damn looooooong?!‘. Sabe quando uma mãe perde um filho no supermercado, arma o maior barraco e quando vai ver o coitadinho tá queitinho, vendo o dvd do super-homem que tá passando na tv de plasma, daí ela começa a brigar com ele que nem uma louca desvairada, ‘onde você tava, moleque‘, ‘como você faz isso com sua mãe’, entre outros, e daí, de repente, ela começa a chorar, abraçando o moleque e dizendo ‘que medo de te perder’, ‘desculpa a mamãe por ter te perdido’, ‘nunca mais saia de perto da mamãe’ e o moleque tá com cara de quem não tá entendo nada? Então, acho que seria assim o meu chazinho com Deus.
E quando essa bicha-louca deixasse o meu corpo e eu voltasse a sã consciência, eu não ia pedir nada não (só uma capa de invisibilidade, se não fosse pedir muito).
Ontem, eu fui à igreja. Não sei ainda porque eu insisto em ir, mas eu fui. E não foi de todo mal, como normalmente é. O que o cara que tava pregando quis dizer, é o que o Bono já me disse com ‘what you don´t have you don´t need it now’ e o Ben Harper também já me disse com ‘make sure the fortune that you seek is the fortune that you need’ e até agora eu não aprendi.
Resumindo, fica assim: tipo, bacana que você pede pra Deus o que você quer, mas não quer dizer nada. A gente não é patrão de Deus. Se, por ventura, é ele quem dá as coisas, ele dá a hora que quiser.
Eu acho legal assumir essa postura ‘don´t worry, be happy’ quanto à espiritualidade. Afinal de contas, Jesus era um Bob Marley de maior alcance. Sem as Marias Joanas.
Ultimamente, eu só tenho um pedido a Deus. Mas acho que uma fitinha do sr. do bonfim dá conta do recado.
Afe, não! Elas demoram muito pra arrebentar. Therefore, ao que reina: estou entregue às Suas ações.

Hoje, eu tive uma pequena amostra da rede wireless do Mackenzie.
Tendo isso em mente, eu fiquei pensando em como, daqui uns 20 ou 25 anos, Teodoro, meu futuro filho mais velho, vai me pedir um palm/celular/ipod/televisão/tele-transportador/cantil/cama portátil/cachorrinho virtual. E no caminho, ele vai me olhar, e eu vou olhar pro topetezinho que ele fez com sabonete de glicerina (sim, a moda vai e vem) e eu vou contar pra ele que lá pra 2002, 2003, a internet da mamãe era por telefone e se alguém ligasse o chuveiro de casa, a conexão caía.
‘Mãe, é a 17ª vez que você contou essa história esse ano. Eu tenho em arquivo no meu palm/celular/ipod/televisão/tele-transportador/cantil/cama portátil sem o cachorro virtual. Dá pra gente andar mais rápido?’
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Feliz Horário de Verão para os homens de boa vontade.
Deus abençõe a América.

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Quem anda comigo por alguns anos sabe da tamanha indiferença que eu sinto em relação a animais em geral. Na verdade, só quem anda comigo por muuuuuitos anos sabe desse sentimento, porque pras outras pessoas eu finjo ligar pra mistura de raças do cachorro vira-lata delas. É uma coisa do tipo ‘Olha, Dija, o meu bebê tchucotchuco nheconheco do coração da mamãe’ ‘Ah, nossa, bonitinho o seu poodle’ ‘Não é um poodle. É uma mistura de blablablá blablablá blablablablês com blá blablablablablá’ ‘Ah. Bem que eu vi uns traços de labrador :/’ E na maioria das vezes eu só vejo um cachorro. Ponto.
Enfim.
Eu tenho ido quase todos os dias ao Parque da Água Branca e lá tem uma quantidade grande de animais que ficam soltos pelo parque, ou seja, tem sempre uma galinha passando um aperto com as crianças malvadas.
E eu não ligo pra eles. Mas lá tem (como eu poderia dizer?) uma família de pavões. E como vocês devem saber, são os machos que tem as penas bonitas. Pavoas são apenas perus enormes. Perus enormes que voam. Mas elas são ENORMES. E ficam voando nos telhados e árvores do parque. Mas elas são ENORMES. Bichos enormes não voam.
Normalmente, quando eu passo perto deles, eu os cumprimento mentalmente com um sorridente e indiferente ‘Boa tarde, seus perus. GET LOOOOOOST do meu caminho.’
Porém, ontem, o sr. peru/pavão resolveu mostras as peninhas. Eu vi uma coisa que eu não sabia: pavões emitem sons. Sons ignorantemente altos. E é uma coisa tipo o Ross imitando um dinossauro.
Mas juntou um bando de gente pra ver o showzinho do pavão, achando maravilhoso, espetacular, tirando fotos e o uó eu sentei nos arredores pra ver. As pessoas, não o exibidinho.
Tinha duas meninas com um saco de pipocas que ficavam derrubando pipocas e o pavão vinha comer as pipocas. Mas a mãe de uma das meninas reclamou que elas tavam derrubando as pipocas e que o pavão tava comendo as pipocas. E a menina deu uma desculpa tipo ‘Não sou eu, é o pavão’. Mas nenhuma das duas parou de comer pipoca perto do pavão e daí elas começaram a culpar o pavão. Tipo ‘Pára, pavão. Eu tô jogando pipoca pra você, mas não é pra você comer, seu peru gigante’.
É até maldade minha, mas a única coisa que eu consegui pensar sobre as meninas é o quanto elas se assemelham a meninas que passam de top e mini saia na frente de construções e não querem que os caras olhem.
Este relato não é pra se transformar numa teoria revolucionária, como maçã na cabeça de fulano vira gravidade. Pavões, pavões, galinhas, galinhas, teorias à parte.

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Amanhã, Marina Morena faz um mês.

Eu sou tia do Leitão do Ursinho Pooh.