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A vizinha daqui de casa é igual ao Tom Jobim, as mesmas roupas de homem, o mesmo cabelo meio grisalho, meio cor de nada, os mesmos óculos redondos, as mesmas mãozinhas redondinhas, enrugadinhas e pintadinhas. Igual. A gente chama ela de Tom Jobim, tanto que hoje, quando cruzei com ela, no auge do meu estado de paranormalidade devido à falta de dormir, eu quase (mas por um pouquinho mesmo) não perguntei pra ela se ela tinha gostado do especial da globo de ontem à noite.
Se tivesse perguntado, não ia ter nada de mais, uma conversa casual, eu diria, mas é que normalmente eu só digo ‘oi’ pra ela. Eu diria ‘olá, tudo bem’, mas é que eu encontro muito com ela. O dia todo, na verdade. Chega a irritar. Eu seria mais educada se ela fosse o Tom Jobim mesmo, e não o Tom Jobim cover transvestido.
Voltando ao especial da globo, eu não sei quantos de vocês viram, mas não dá vontade de voar no pescoço do Roberto Carlos?
Passou no especial ele e o Tom cantando ‘Lígia’ juntos. Eu não conheço bem a música, mas acho que o Tom deu uma improvisadinha no meio da letra e o rei chato de todos os chatos da chatolândia do Roberto Carlos deve ter achado horrííível o próprio autor da música cantar a merda da música do jeito que ele bem entende e soltou, assim meio risonho, uma bronca disfarçada, do tipo: ‘hmm, essa parte da música eu não conheço…eu vou cantar a original’. Chato descapacitado do dom da improvisação (e do dom do funk) obsessivo compulsivo sem perna do mundo dos caras chatos do caramba. Vá se tratar…
Arquivado em: Por isso que eu preciso de terapia
Esses dias eu vi a Maitê Proença dizer que, a 20 e tantos anos atrás, ela tava sozinha no estacionamento de um teatro aonde atuava em uma peça. De repente, ela ouve : “Aurora”. Ela fez que não era com ela e continuou indo pro teatro. Depois, ouviu: “Aurora, pára de fingir que é a Maitê Proença e volta pra casa. As meninas sentem falta de você”.
Mas ela disse que desde então, o cara que gritou a segue por toda parte. Disse que por mais que ela se mude e não conte pra ninguém pra onde foi, o cara sempre acha a casa dela.
Sei lá, por mais que, a princípio, todo mundo pense que o cara é louco, eu não pude deixar de pensar na possibilidade de Maitê ser Aurora. Ah, a mulher é atriz…extremamente possível! Eu sempre digo meu nome errado pra gente que eu sei que eu nunca mais vou ver na vida.
Fora que se a mulher vê o cara em tudo quanto é lugar, ele pode ser um amiguinho imaginário fácil, fácil.
Que nem meu pai. Eu falo um mal danado dele pros meus amigos, e quando meus amigos vêem ele, ele até chega a ser simpático, me fazendo pagar de louca.
As doenças mentais estão por toda parte. Perceba os sinais.
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Eu queria levantar um questionamento teológico hiper leigo que não há de interessar a muitos.
Sabe o Evangelho de Judas que saiu recentemente? Então, levando em conta que, de repente, Judas não precisa ser mais malhado e sua ação foi de extrema contribuição pro plano da salvação, isso remete a uma certa instabilidade. Pois, eu quero aplicar essa mesma instabilidade a uma outra situação. A maçã do pecado, ou melhor, o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Sinceramente, ô frutinha que ia salvar a humanidade, viu?! Nada como ter os dois lados para fazer a sua própria verdade. Tá, dito isso, vem Jesus, aaaaanos depois, e diz que a verdade há de libertar a gente, pobres mortais, assim que a gente conhecê-la. Pois então, se a gente não tivesse conhecimento do bem e do mal por causa do pecado original, como raios a gente ia poder conhecer a verdade?
Cês entendem? O que eu quero dizer é que, tá, foi pecado ter comido o fruto, mas será que não foi necessário, assim como foi necessário que Judas traísse Jesus?
Será, então, que todo pecado é relativo?
Eu disse isso pra um amigo gay a alguns anos atrás. A gente estudava em colégio evangélico, e era um terrorismo que corria solto naquele lugar, onde só os Amish puritanos iam pro céu.
A gente tava discutindo não lembro bem o quê, mas em certo ponto eu disse que pecado só é pecado se você acha que é pecado; se você não acha que é pecado, então não é. Daí ele disse ‘Ahn, Dija’, como quem diz, ‘Ahn, agora você acabou com a minha forma de protestar contra esses crentes esquisitos’.
Daí vai vir os estudantes de teologia metidinhos e vão dizer que nada a ver, porque, no hebraico blebleblé, a ‘árvore’ tá representada pelo símbolo arvoshuah que não tem relação nenhuma com o símbolo aramaico que representa ‘verdade’ e vão cagar a minha teoria da Teologia da Relatividade.